sexta-feira, 26 de maio de 2017

OUTRERA, O PRIMEIRO ENCONTRO DAS DUAS ERAS... - JOANA POLIDORO LUZ











 outrera, o primeiro encontro 
das duas eras...
   Joana Polidoro Luz
    








 MAPA


PRÓLOGO
Lucy tinha apenas 13 anos na época, era uma garota comum, de uma comuna francesa chamada Eguisheim. Mas a vida pacata da garota do interior estava prestes a mudar, sua mãe havia desaparecido faz anos, e então seu pai recebeu um convite para ir trabalhar no restaurante Masa em Nova York, claro que Pierre Lamartine (pai de Lucy) aceitaria, ele era o maior cheff da França, e seu sonho era trabalhar em um dos restaurantes mais caros do mundo! Mas para Lucy o sonho de seu pai era um grande pesadelo, não queria mudar-se, quase não tinha amigos, só mesmo Adam, um garoto alto de olhos azuis e cabelos castanhos que roubara seu coração assim que o vira.
Essa era sua última Semana na França, logo iria mudar-se para os Estados Unidos, onde mal sabia ela... Iria conhecer um novo mundo!


I ADAM
A garota de cabelo cor de fogo, alta e que chamava atenção pelos seus penetrantes olhos verde estava na sua frente, e ele ainda não sabia como dizer a ela o que sentia, seu acordeão não serviria de nada nessas horas, como diria a Lucy que a amava? Estava desesperado, precisava contar a ela hoje, pois amanhã, ela partiria de trem para a capital! “eu sou um burro!!!” pensou ele, “não consigo nem falar com ela nessas últimas semanas! Como vou dizer a ela que a amo?! Não vou dizer, não sou bom com palavras, vou mostrar a ela na Fonte do Mercado! ”.


II LUCY
Adam estava perto da fonte, o lugar preferido deles com dois sorvetes na mão, seu inseparável acordeão no chão, e uma caixa de presente ao lado. “Não acredito que ele comprou uma coisa pra mim! É um bobo mesmo” e sorriu consigo mesma, “Adam é um fofo!” pensou ela, e foi ao encontro do Garoto de cabelo aos ombros.
Quando ele a viu lançou lhe um sorriso de fazer o tempo parar, então percebeu o papel de bobo que estava fazendo e foi correndo arrancar alguns girassóis de um canteiro próximo para entregar à menina, e disse:
- Flores para uma flor! - e abriu um sorriso que só ele sabia dar – Suas preferidas...
- Quanta gentileza meu príncipe encantado!- falou Lucy brincando com o garoto.
Ele entregou um sorvete de flocos a ela, seu sabor preferido “ele realmente sabe do que eu gosto” ela sorriu.
Ficaram assim por um tempo até que Adam pegou a pequena e singela caixa de presente que Lucy o vira segurando, e lhe entregou dizendo:
- É pra você lembrar-se de mim... – e lançou um sorriso forçado. Lucy não sabia o que dizer, até agora não havia parado para pensar que poderia nunca mais ver Adam, e pegou o presente sem jeito -... Eu tenho um igual, assim estaremos sempre juntos.
Era uma pedra com um brilho azul e rosa, amarrada em um barbante preto, a pedra parecia brilhar para Lucy de um jeito que ela não conseguia parar de olhar, para ela foram longos minutos, para o mundo apenas segundos, quando ela finalmente saiu do transe, seu pai havia lhe chamado, estava correndo em sua direção com duas malas grandes e pesadas nas mãos, chegara a hora de partir.

III ADAM
“Eu não acredito! Perdi a minha única oportunidade com a Lucy!!! Não consegui dizer pra ela o que eu sinto... Pelo menos ela gostou do presente, Francis,  o velhinho dono da loja “La Magie en Détail” disse que era mágica, que pertencia a uma princesa élfica do velho mundo... Ele me disse um nome... Qual? Era o nome do velho mundo... era... era... Outrera!”


IV LUCY
Lucy estava indignada, nem conseguira se despedir de Adam direito, muito menos agradecer à ele pelo lindo presente, tudo graças ao seu pai que resolveu adiantar a viagem para os EUA!
Há, seu pai... Desde que sua mãe desaparecera, pai e filha não mantinham um relacionamento muito bom... Eles brigavam muito, estavam começando a se acostumando com a perda... Mas o que eles não entendiam era, como Safira d’Mio desaparecera... Era uma noite escura de verão quando tudo acontecera, Lucy estava indo dormir, ela tinha apenas seis anos e meio na época, quando raios e ventos abalaram sua casa, Lucy correu para a sala para ver o que havia ocorrido... Do resto ela não se lembra muito bem, era pequena na época, mas se lembra de um vulto e de sua mãe gritando pra ela... Ela havia dito... Havia dito... Proteja... Proteja... Proteja-se... Proteja-se De?... De Bruksama!
Ela gelou, aquele nome a assustara, mas por quê? O que Bruksama era? Por que sua mãe desaparecera?
Lucy ficou revirando suas memórias o resto da viagem de trem até a capital, quando de repente ela se lembrou de outro nome, um nome diferente, e gritou assustando a todos e a si própria:
-Outrera!!! O que mamãe disse foi “Proteja-se e a Outrera de Bruksama!”!!! Eu lembrei papai!!! Eu lembrei!!!
- Acalme-se Lucy! Se controle!!!
- Mas pai, ela disse...
- Acalme-se Lucy! Vá beber uma água, lavar o rosto depois falamos disso!
- Mas pai...
- Já!
***
Não adiantava discutir com o pai de Lucy, então ela resolveu fazer o que ele mandou, foi tomar água e lavar o rosto no banheiro.
Ela entrou com um grande e antigo copo de vidro no banheiro, o filtro de água do trem havia quebrado, então um senhor com uma barba tipo lenhador, com o rosto cheio de graxa e um chapéu um pouco pequeno para sua própria cabeça à indicou a beber a água que saia pela torneira, pois o filtro das duas era o mesmo, então ela fechou uma antiga e pesada porta de madeira, botou o copo em cima da pia, e começou a enchê-la de água cristalina. Ficou observando seu reflexo por um bom tempo, até que...
Uma mulher tomou lugar no seu reflexo, uma mulher muito parecida com Lucy, mas mais parecida ainda com sua mãe, Safira!
De relance a pedra de seu colar começou a brilhar intensamente, parecia magia!
Ao mesmo tempo a mulher do reflexo com cabelos rosa e mexas azuis começou a falar com Lucy!
Ela não entendia, mas estava desesperada querendo que aquilo fosse efeito da insônia que tivera na noite anterior, queria, mas sabia que aquilo era real, mesmo assim, se recusava a acreditar!
Naquele instante pegou o copo que deixara na pia, e tentou beber a água lá mantida, mas não conseguiu, no instante em que o segurou, sua mão começou a tremer e o derrubou no chão.
Pegou uma toalha de rosto parecida com as usadas em palácios para tentar secar a bagunça que fizera, mas a pequena quantia de água parecia aumentar magicamente. Quanto mais tempo Lucy gastava tentando secar a água do chão, mais a pia enchia do mesmo, encheu tanto a ponto de ultrapassar os limites e inundar todo o banheiro!
Então de repente a mulher de cabelo rosa com mexas azuis começou a falar, desta vez ela não estava mais no copo da pia, encontrava se em todos os lugares que possuíam reflexo, tanto na água do chão, quanto na dá pia, um leve reflexo na janela, e um brilho forte no espelho...
-Lucy... Lucy...  Lucy...
Ela dizia.
-Lucy... Lucy, o reflexo... O seu reflexo na água... Atravesse água...
Sem questionar a menina de cabelos cor de fogo, Atravessou o vidro como se estivesse hipnotizada pela voz...




V LUCY
 Do outro lado da água, ela encontrou um novo mundo! Lindo, com longos pastos esverdeados, florestas imensas ao leste e grandes picos ao norte, o local era cheio de Unicórnios, Grifos, Hipogrifos, Hipocampos, Dragões, Trolls, Gnomos, Anões, Fadas, Bruxas, Magos, Druidas e Elfos!
E foi um destes elfos que a recebeu:
- Olá Lucy! Estava a sua espera!
- Mi-mi-minha espera?!
- Sim princesa! – disse ele sorrindo.
- Princesa?!!!
-Há! Desculpe-me, eu sou Eulyan, o elfo da terra! E essa é Outrera! – disse ele mostrando a linda e florida terra do outro lado do reflexo - E você é a nossa princesa, possuidora da pedra da Lua de Outrera!
Ela ainda estava analisando tudo quando de repente, Eulyan, o elfo de cabelo Black Power de olhos lilás e pele clara, a puxou...
- Vem princesa você precisa ver o rei Arsênio, ele é muito sábio, vai saber o que fazer!
-Fa-fa-fazer?! Fazer o que?! Ei!!!
Ele saiu correndo em direção ao palácio de formato bizarro a qual os elfos podiam chamar de lar. Sem opção, ela o seguiu.





VI ADAM
Adam estava sentado no fundo da sala de aula ao lado de uma janela. Estava triste, tão triste que nem o acordeão conseguia tocar, estava com saudade de Lucy, e a aula de ciências não ajudava em nada! Então quando ele menos esperava a professora Rosberta o chamou:
- Adam?
-Haã??? É...
- Sobre o que estamos falando Adam Lancergurg?
Então de repente, um fleche de cenas passou na cabeça de Adam, ele viu Lucy, viu ela e um garoto com orelhas pontudas... Então de repente tudo foi escurecendo, escurecendo até Adam se encontrar no breu de um desmaio...



VII LUCY
Lucy ainda estava analisando o que acontecera, quando fora levada para frente de um velho rei élfico, não fazia ideia do que estava acontecendo.
- Quem é você jovem humana? – Perguntou o rei.
- Eu mesma não sei ao certo, eu creio que Lucy Lamartine, majestade. Mas a pouco fui chamada de princesa e... – ela preferiu deixar a frase no ar.
- Você disse Lucy Lamartine?! Rápido! Chamem meu filho! Chamem Kalsem!
Ordenou o rei assustado, mas no fundo de seu coração Lucy via esperança por tempos melhores, o que quer que acontecesse nessa terra estranha, havia apenas começado.
Assim que Kalsem chegou, rapidamente viu Lucy a garota de cabelos cor de fogo, e se apaixonou por sua incomparável beleza!
- Quem é ela? - cochichou para o pai
- A prometida. – Ele ficou pálido, e pensou “essa garota frágil, irá salvar Outrera?!” 















VIII LUCY
-  Lucy, você possui a pedra? – Disse Arsênio, o rei.
Ela ficou em silêncio, não sabia do que ele falava, na verdade não sabia o que estava acontecendo...
- Desculpe, mas do que você está falando? – perguntou com cuidado.
- Pai, não pode ser ela... Olhe só para ela!
- Chega Kalsem, controle-se ou retire-se.
 Enquanto pai e filho discutiam, Lucy tentava descobrir o que o rei Élfico falava, ela não tinha nenhuma pedra consigo...  Foi então que ela se lembrou do colar que Adam dera a ela, o colar a chamara a Outrera, talvez era dele que o rei procurava saber.
Então a menina de cabelos cor de fogo segurou o colar para que o rei pudesse ver e falou:
- É isso que o senhor procura?
Todos ficaram pasmos.
















IX LUCY
- Tranquem as portas! Fechem os portões e as Janelas! Ela acordou! – Ordenou o rei, assustado.
- Lucy, preciso que você me escute. – ele disse com uma expressão de medo  - Você nunca deve tirar esse colar está bem? – isso era uma ordem não um conselho – Esse colar tem um valor inestimável, quem o usa é protegido, ele cria um campo de força, ele impede que o mal de Bruksama ultrapasse. Mas além de proteger, ele dá poderes a pessoa, poderes que usados para o bem fazem coisas maravilhosas, mas em mãos erradas... Destruirá  todos os mundos em um só toque. – o medo passou nos olhos do rei  - Você deve prometer nunca tirá-lo. – ela concordou com a cabeça – Então venha Lucy, tenho que lhe mostrar uma coisa.
A menina o seguiu em silêncio.


X LUCY
Eles seguiram por um corredor mal iluminado, depois desceram uma escada caracol, até encontrarem uma sala de vitrais iluminada por 60 castiçais lado a lado apagados. O rei entrou na sala, seguido por Lucy e seu filho logo atrás, ele bateu palmas e de repente, um a um os castiçais foram se acendendo conforme passavam.
- Lucy, estes vitrais contam a história de Outrera, o Passado, o  Presente, e... O futuro. - disse o rei calmamente- A algumas semanas uma feiticeira das trevas retornou, ela se chama Bruksama. – e apontou para um vitral escuro com uma mulher vestida de roxo, com um capuz negro da cor de seus cabelos cacheados, ela tinha uma maçã cor de sangue em sua mão. Podia ser má, mas era extremamente bonita - Ela era filha de um mago, ele era muito poderoso, tão como um deus. Esse mago criou duas pedras da lua, uma era clara, e a outra negra. A primeira deu a uma princesa élfica chamada Safira, e a outra a sua filha. Elas viraram grandes amigas, mas certo dia Bruksama foi tomada pelo ódio, pois a pedra branca criava o bem e a sua o mal. Conseqüentemente, as criaturas a temiam. Então Bruksama quis destruir a pedra branca e sua portadora, mas ela não conseguiria sozinha... Para isso, ela criou as criaturas das trevas no lago Flin. Dentre estas criaturas estão Dragões, Trolls, Gnomos, e as poderosas Fadas Austríacas. Estas últimas foram criadas para espelhar a beleza e inteligência de Bruksama, mas o que ela não esperava era que elas iriam se voltar contra ela. As fadas Austríacas logo perceberam que o que Bruksama queria era errado, então se converteram para o bem e foram avisar Safira em segredo do que estava acontecendo. Com a ajuda das Fadas Austríacas, em especial, Alceia, a mais poderosa. Safira conseguiu aprisionar Bruksama em uma das pedras da Lua, a negra. Desde então nem uma das pedras da lua foram vistas.
- Então você quer dizer que esta pedra do meu colar, é a pedra da lua que pertencia a Safira?
- Sim, segundo os vitrais, uma menina de cabelos cor de fogo, de outro mundo viria até nós, ela iria participar da batalha final entre Bruksama, e as criaturas da luz, mas...
-Mas o que?
- Mas não sabemos se ela irá sobreviver à batalha final.
Lucy engoliu a seco a última frase do rei.



XI
PIERRE LAMARTINE
 Pierre já estava ficando preocupado. Lucy não voltara desde sua última discussão, resolveu ver o que havia acontecido.
Chegou à porta do banheiro do trem e começou a bater, era melhor Lucy se apresar, já estavam quase chegando a Paris, logo seria hora de pegar o avião.

***
Os elfos haviam deixado Lucy em um aposento na ala leste, ela estava indo tomar um banho numa banheira de prata, quando lembrou-se do seu pai. Ele já deveria estar preocupado, no mesmo instante seu colar começou a brilhar igual quando estava no trem, de repente ouviu seu pai a chamar, ele dizia seu nome. Ela então entrou na antiga banheira e atravessou o seu reflexo. Como da primeira vez.
***
Lucy apareceu no bainheiro da onde havia saído, ela estava totalmente seca, e o banheiro também. Então de repente ela ouviu seu pai a chamar, no mesmo instante ela saiu do banheiro e abraçou o pai.






XII LUCY
Lucy e seu pai já estavam na América há uma semana, e ela não voltara para Outrera desde a viagem de trem, sentia falta de Adam, e ainda não havia feito amigos.
Mas isso não era o pior naquele momento a menina estava sentada no banco traseiro da Kombi roxa de seu pai, indo para a escola.
Ela já tinha problemas com a antiga escola, imagina com uma em um país diferente, com crianças que nem a mesma língua falavam?!
Bem agora não tinha mais tempo para se lamentar, já estava parada na frente do portão da escola, chegará a hora de encarar a realidade.
Lucy desceu da Kombi roxa açaí, e foi direto para a diretoria com seu pai, enquanto ele acertava os últimos detalhes com o diretor, a secretária a levara até a sala de aula.
Chegando lá, foi apresentada aos outros alunos, e depois sentou-se numa cadeira no fundo da sala, onde ficou até o intervalo, sem entender uma palavra do que diziam.
Quando o intervalo chegou, Lucy sentou- se em um banco longe da multidão, para comer um típico croissant Frances, quando de repente uma menina com um coque no cabelo e uma rosa azul no topo, aproximou-se, ela era muito parecida com a secretária da escola , só que mais nova.
- Lucy não é? – disse ela em Frances.
A menina de cabelos cor de fogo olhou assustada.
- Não se assuste. Eu também sei falar Frances, minha mãe é Francesa, você deve conhecê-la, ela é a secretária do colégio.
Isso explicava a semelhança entre a secretaria e a menina. Então Lucy respondeu:
- É, eu a conheço... - quando Lucy ia falar mais alguma coisa seu colar começou a brilhar e ela correu feito louca ao banheiro.
- Ei espere!!! – gritou a francesinha.
Mas Lucy já não tinha ouvido...



XIII LUCY
Ela atravessou o singelo espelho do banheiro da escola e voltou a Terra misteriosa a qual visitara a algumas semanas.  Alguém havia batido na porta do quarto do palácio assim que Lucy chegou, pelo que ela ouviu era  Eulyan, o excêntrico elfo que havia encontrado assim que chegara a Outrera pela primeira vez.
-Lucy! Lucy!
A menina abriu a porta.
- Lucy o rei esta a sua espera! – disse ele se ajeitando, logo em seguida a levou para ver o rei.
- Majestades. –Disse o elfo se curvando ao rei e ao seu filho.
- Pode se retirar Eulyan. – disse o rei
Assim que o elfo se retirou, o rei falou:
- Lucy. Você, Kalsem, e Amim, um dos meus mais fieis soldados, partirão numa busca por Alceia a fada Austríaca que ajudou Safira a derrotar Bruksama na primeira vez, para saber como agir ao seu retorno. Na próxima lua cheia vocês retornaram com ela até o palácio.
- Pai quando partimos?
-Agora. Bruksama já está à procura de Lucy.  





XIV LUCY
Lucy estava andando ao lado de Kalsem, e o jovem soldado Amim a sua frente. Amim tinha pelo menos 1,78 de altura, seus cabelos eram lisos e louros, e quase chegava à sua cintura, isso surpreendeu a menina, sem contar com as orelhas do elfo com pelo menos 13 centímetros de altura, além de serem enormes, estavam protegidas com brincos élficos, eram feitos de ferro, incrivelmente fortes! Já Kalsem... Mostrava-se para a menina humana, pois era incrivelmente bonito, tinha cabelos curtos e castanhos, e fazia um topete no cabelo, tinha o sorriso mais bonito do mundo, e seu charme era seus olhos verdes esmeralda, que ficavam ainda mais brilhantes na sua pele bronzeada! Kalsem era o filho mais novo de Arsênio, seu pai tivera três filhos, Kamel que morreu na batalha contra Orcs anos antes, e seu outro irmão estava numa viagem ao sul.
-Sabe Lucy, eu estava pensando...
- No que Kalsem?
- De onde você veio... Como é lá? – perguntou o jovem príncipe.
- Hum... Lá? Bem... É bem diferente daqui, lá não temos mais tantas árvores, nem animais como aqui, sabe...
- Como não tem árvores? Isso é impossível! - Ele cuspiu as palavras com indignação e arrogância.
- Bem, as pessoas do passado não cuidaram da natureza... E hoje, ela está praticamente morta!...
- Morta?!!! – Era a primeira vez que Amim falava desde que saíram, sua voz era tocante, movia montanhas! – Como vocês puderam fazer isso?!!! – Lucy abaixou a cabeça, naquele momento, Amim reparou que havia se sobressaltado, e calou-se novamente.
Algum tempo depois próximo a ponte do lago azul, Kalsem fez outra pergunta:
- Lucy... – ela olhou pra ele – No... No outro mundo... No seu mundo, tem alguém que você... Você, gos... Que você ame? – Naquele momento Lucy se lembrou de Adam, seu amor secreto.
- Eu... Eu ama... – Ela foi interrompida por Eulyan que vinha correndo com uma mochila na mão...
- O que você está fazendo aqui! Irá morrer se vir conosco! – Brigou Kalsem.
- Eu vou com vocês, tem uma coisa que vocês não sabem! – Disse o excêntrico elfo de olhos lilases.







XV LUCY
- Não acredito que você o deixou vir, Lucy! – disse Kalsem
- Ele disse que sabe algo que não sabemos.
-Então desembucha criado!
- Só digo se você prometer não me chamar mais de criado, vossa realeza... – ele deu um sorriso malicioso enquanto o príncipe pensava.
- Esta bem... Agora fale!
- Eu estava arrumando as coisas do vosso pai, quando encontrei um velho mapa, um druida deu ao rei certa vez...
- Eirenaîos, o último dos druidas?
- Esse mesmo... No mapa diz o lar de cada raça, ser ou criatura de Outrera, creio que sei onde a fada está.
Todos seguiram os olhos de Eulyan até onde seu dedo apontava, era pra lá da muralha do Leste...

XVI LUCY
As criaturas pra lá da muralha não eram muito amigáveis, principalmente com elfos. De criaturas boas, só existiam Fadas Austríacas, que mesmo assim estavam quase extintas... Por isso o Leste era conhecido como terra da morte.
- Terra da Morte! Quer dizer que vamos ter que ir para a terra da morte encontrar uma criatura que nem sabemos se existe! – Resmungou Amim.
- Se o mapa diz que temos que ir pra lá é porque temos! – Ordenou o príncipe.
De repente a discussão foi tão grande que Lucy não sabia o que fazer, eles estavam prestes a se matar! Então de repente o colar de Lucy começou a brilhar! Ele brilhava tanto que cobriu todo o local onde estavam então como mágica todos pararam de brigar e voltaram-se a Lucy, e ela falou...
- Se é o que o mapa diz, é o que devemos fazer. Vocês lembram o porquê de estarmos aqui? Não é? – Todos ficaram sérios e assim seguiram o resto do caminho até a terra anã.





XVII LUCY
Assim que passaram o castelo anão, Lucy se deparou com imensas plantações, os anões eram conhecidos em Outrera por seu incrível contato e envolvimento com a terra. E havia muitos motivos para isso.
- O que é isso? – Perguntou Lucy curiosa para Amim, nunca vira nada parecido com o que os anões plantavam.
- São plantações de Sunflower, são muito úteis, suas sementes curam qualquer ferimento, até o mais profundo...  – sua frase havia morrido com tristeza, e Kalsem não deixou de aproveitar a oportunidade para mandar uma indireta
- Você devia tomar um chá de sementes de Sunflower Amim! O que acha de pegar um pouco pra mais tarde?!- Perguntou ele de forma irônica, e o elfo de longos cabelos louros, entristeceu.
Lucy não sabia o que havia acontecido com ele, mas de uma coisa ela sabia, Amim não era tão duro quanto parecia.







XVIII LUCY
A menina não entendia o porquê de Kalsem implicar tanto com Amim, ele podia ser muito sério, e severo com sigo mesmo, mas apesar de tudo, Lucy sabia que ele era uma pessoa boa, ou melhor, Elfo.
***
O dia já estava terminando, e o grupo de viajantes ainda não haviam chegado ao vilarejo de Filerin, onde passariam a noite e no dia seguinte viajariam ao Leste.
Mas desde que os boatos do retorno de Bruksama, Outrera já não era segura, principalmente à noite. Os anões haviam espalhado boatos sobre os gnomos e Orcs, diziam que eles estavam rondando o Leste e suas proximidades... Podiam ainda estar na região média de Outrera, mas anões não inventavam boatos, e tudo que eles menos queriam era um encontro inesperado com Orcs?...
Então resolveram acampar próximo a um lago negro, no meio da floresta.
Estavam montando acampamento, quando Lucy viu Amim sair escondido em direção a plantação dos Anões. A menina de olhos cor de Esmeralda e cabelos de fogo, o seguiu...
- O que você está fazendo?!- Perguntou ela assustada.
O elfo de longos cabelos louros estava colhendo um pouco das sementes de Sunflower da plantação quando viu a menina  – Eu... É... Eu... Bem, eu estou colhendo um pouco de Sunflower, é muito útil, cura qualquer ferida... - ele engoliu suas palavras, parecia que ele não queria dizer a próxima, mas disse – destrói qualquer feitiço... – ele estava triste, mas lançou um sorriso, só pra aliviar a situação – Quer um pouco? –Disse ele estendendo a mão com ramos da flor cor do sol com aparência de vida e felicidade à garota.
-Mas e quanto aos anões? – disse ela olhando uma casa ao longe.
- Eles não se importam! – Ele encolheu os ombros sorrindo.
Ela juntou-se a ele, e assim ficaram apenas iluminados pela luz do luar, e ao silêncio da noite... Após alguns minutos, Lucy fez a pergunta que não quer calar: O porquê de Kalsem implicar tanto com Amim.
- Bem, Lucy... - disse ele puxando o ar - Uns três anos atrás, ele gostava de uma garota, ela e minha noiva Elizabeth... Elizabeth... – seus olhos encheram-se de lagrimas - As duas desapareceram antes do nosso casamento...  Então ele me culpa... – Ele desabou no choro - Nós éramos amigos... E além de Elizabeth ser minha noiva... Madeleine... Ela era minha irmã... – Ele caiu de joelhos no chão, e Lucy ficou ao seu lado, o acalmando.
Minutos depois Amim levantou como se nada tivesse acontecido e mandou Lucy dormir.
***
Já era quase meia noite, e a menina não conseguira mais dormir... Tivera um sonho com Adam... Um sonho horrível... Não se lembrara com clareza, mas de uma coisa ela sabia... Nele Adam não era o mesmo garoto que ela conhecia... Nele Adam estava possuído pela pedra da Lua Negra... Naquele momento Lucy lembrou-se que Adam não havia comprado apenas um colar, mas na realidade dois! E se o colar que Adam ficara pra si também fosse mágico... E se... E se fosse uma pedra da Lua Negra?! E se o pesadelo que Lucy tivera fosse realidade... E se Adam fosse possuído por Bruksama?!
Os questionamentos de Lucy foram interrompidos pelo brilho forte de seu colar, chegara a hora de voltar ao mundo real.



XIX MADELEINE
Já havia acabado o intervalo e Lucy não aparecera, Madeleine já estava ficando preocupada, quando a professora Gal a chamou:
- Madeleine? – a menina se assustou.
- Sim?
- Você poderia procurar a garota nova para mim, por favor?
Ela fez que sim com a cabeça e se retirou, da última vez que vira a menina francesa de cabelos vermelhos, ela fora em direção ao bainheiro, talvez ela ainda esteja por lá! Analisou ela.
***

A menina estava saindo do reflexo de um espelho quando viu um vulto se mexer, era uma menina, era a filha da secretária.
***
Madeleine estava pasma, ela acabara de ver a menina que conversara mais sedo sair de um espelho! Como isso era possível?!
Ela tivera vontade de gritar, mas não o fizera. Tivera vontade de chamar alguém ou pedir socorro, mas também não o fez. Não o fez, pois sentia que podia confiar na menina, sentia que já a conhecia, sentia que eram amigas.
***
Então as duas ficaram se olhando por longos minutos até que Lucy começou a tentar explicar, mas estava tão nervosa que as palavras saiam todas embaralhadas, parecia que falava a língua gnômica. Ela não sabia o que fazer então de repente a professora Gal entrou no bainheiro e ao ver a expressão de susto nas duas garotas ficou assustada também e perguntando o que aconteceu.
Lucy sabia que tudo estava perdido, sabia que seria queimada na fogueira como Joana d’Arc fora séculos atrás, era óbvio que a menina de olhos azuis e cabelos cor de terra que tinha fisionomias élficas no rosto, contaria tudo! Mas não foi o que ela fez, ela apenas disse:
- Esta tudo bem professora, foi só um rato.  – E assim que a professora virou-se de costas, continuou – Me explica mais tarde. – E sorriu
Se fosse outra pessoa Lucy jamais contaria sobre Outrera, nem suas lendas, mas sentia que podia confiar na menina, sentia que já se conheciam há muitos anos, e pouco tempo depois se tornaram amigas inseparáveis!







XX LUCY
Já fazia semanas desde sua última ida à Outrera, Lucy e a garota francesa logo ficaram amigas após o incidente do banheiro.
Elas estavam andando em uma das ruas amontoadas de Nova York quando o colar de Lucy voltara a brilhar, seria impossível encontrar um banheiro para se transportar, mas por sorte estavam próximas do Central Park, e só por causa do destino, ele estava praticamente vazio! Lucy estava indo mergulhar no lago quando Madeleine a puxou pelo braço e disse:
- Me deixa ir junto, por favor?
- Não da é muito perigoso...
- Ei!!! Vocês duas saiam daí é muito perigoso! – Disse um guarda do parque.
Não havia tempo para discutir, Madeleine seria obrigada a ir junto, por sorte bem na hora que elas iam entrar no lago um carrinho de Hot Dog atropelou o guarda e não viu o que acontecera!
  ***
As duas haviam chegado a Outrera, e Madeleine ainda não acreditara no que estava acontecendo. Lucy viu Amim se aproximar correndo e com espanto em seus olhos azuis. Ele não vira Madelyan, e foi logo falando com Lucy com seu ar severo.
- Pegue esta espada e não saia de trás de mim.
- O que aconteceu?
- Orcs.
Lucy saiu correndo atrás de Amim, ele estava  na frente do pequeno grupo de viajantes, seguido pelo príncipe e Eulyan atrás. Estava sendo uma batalha horrível por sobrevivência, os Orcs vinham de todos os lados, sua única chance de sobrevivência era chegar a Filerin.
Ela segurava a espada como sua vida, e mais ainda a pedra da lua pendurada no seu peito, os Orcs estavam cada vez mais ferozes, e eles mais cansados, então quando estavam quase em Filerin, um Orc de pelo menos três metros de altura, chegou por traz e capturou Madeleine, a garota berrou como louca pedindo socorro e só então os elfos notaram a presença dela.
***
Assim que Amim encostou os olhos em Madeleine, ele soube no mesmo instante quem ela era, mas era tarde demais, o resgate teria de esperar.       
***
- Madeleine! – foi à única coisa que Lucy pode fazer: gritar, gritar e gritar, eles tinham que fazer alguma coisa – Temos que salvá-la!!!
- Lucy se acalme! – Disse Amim
- Mas temos que salvá-la!!!
- Eu sei! E é o que vamos fazer ao amanhecer!
Enquanto eles discutiam a situação o excêntrico Eulyan analisava, em seus pensamentos ele perguntava-se quem era “Madeleine”...


XXI JACK
- Me tirem daqui! – Gritava ela em desespero – Socorro!!!
Enquanto isso Jack observava ao longe, ele não acreditava o porquê de uma simples menina ter que ser oferecida a Bruksama, ela parecia tão frágil... Segundo os outros Orcs, ela tinha uma coisa que Bruksama queria... Uma pedra...
Ele sentia algo estranho pela garota humana com feições élficas, ele viu ao longe sua semelhança com os inimigos dos Orcs, com certeza ela deveria ser uma mestiça como ele.
Ele estava ao lado da carroça na qual a garota estava presa, ela estava chorando, ele não resistiu à menina estava completamente apaixonado por ela, mesmo que nunca tenham se falado, sabia que era o destino eles ficarem juntos então disse:
- Ei??? – Falou ele calmamente sorrindo de leve, ela o olhou com os olhos cheios de lagrimas – Está tudo bem?
- Você acha que estou bem?!!! Eu nunca estive aqui, acabei de chegar e provavelmente serei jantar de Orc e você me pergunta se estou bem?! – disse ela com raiva nos olhos.
Jack não era um Orc mal, na verdade nem Orc era. Sua mãe era humana, e por isso não era muito aceito entre os Orcs. Talvez essa fosse sua chance.
- O que você vai ficar fazendo ai?! Vai ficar jogando pedras em mim?! – Retrucou a garota novamente, então ele se abaixou e começou a desatar as cordas para libertar a garota – O que você está fazendo?!
- Salvando sua vida, venha o caminho é por aqui.
Ela ficou sem palavras, naquele momento ela viu como estava errada sobre o Orc ao julgá-lo pelas aparências...
22 Madeleine
Eles seguiram por um caminho obscuro com cara de morte, por horas... O Orc nem a olhava, e ela ficava se perguntando por que a salvara, não fazia sentido, pelo menos, não depois do que ela havia dito... O estranho é que ela sentia se bem perto dele, sentia-se segura, e quando tentava olhar seus olhos o coração gelava...  






XXIII JACK
 “Por que eu fiz isso... Eu nem a conheço!” Ele se perguntava, e olhou para a menina de cabelos escuros sem que ela percebesse... Seu coração gelava quando olhava pra ela... O que era isso?!






XXIV 
MADELEINE
Madeleine sentia que deveria falar sobre algo com seu salvador... Mas o que?!
Ele era um Orc, e ela estava em um mundo totalmente novo... Apesar de parecer muito familiar...
- Então... Como é a vida de um... Deixa eu pensar... Orc?
- Que pergunta mais desmilinguida Madeleine!!! - Brigou com sigo mesma em voz baixa feito boba.
E o Orc riu...
- Eu não sou Orc! Bem... Mais ou menos...
Ela se assustou.
- Então o que você é?!
-Eu sou um mestiço! Meu pai era Orc, e minha mãe humana... – Ele ficou triste de repente.
- Bem que eu achei você bonitinho de mais pra ser um Orc! – Brincou ela, e só então ela percebeu como o Orc era bonito nos primeiros raios da manhã... Na verdade ele parecia quase humano!
O mestiço percebeu o espanto da garota e sorriu.
- É a luz, Orcs não a suportam... E como eu sou meio humano, de dia eu sou mais humano... A noite mais Orc... Por isso que meus dentes quase não aparecem... – ele deu um sorriso maroto para a menina!
Seguiram conversando o resto do caminho, eles sentiam que podiam contar tudo, um ao outro...



XXV LUCY
O dia ainda não havia nascido quando voltarão para a floresta... Estava frio e Lucy estivera preocupada a noite toda...
- Ouviram isso? – Perguntou Amim.
- Devem ser Orcs. – Kalsem falou com raiva.
- O que vamos fazer? – Cochichou Lucy.
O Soldado élfico  soltou um sorriso com malícia  e disse:
- Vamos atacá-los!





 XXVI 
MADELEINE
- Ouviu isso?
- São Orcs?!
- Não. – Ele cheirou o ar e disse com ódio – Elfos.
De repente de dentro da mata saíram vários elfos para atacar, eles não chegaram nem aos pés de Jack, ele era forte, e tinha pelo menos 2 metros de altura!
Foi uma batalha feroz, Se via sangue élfico aos montes, Jack não os matava, mas tentava afastá-los, não era de sua cultura matar, pra ele matar era desumano, até mesmo quando ele fazia parte da tribo ele tinha este pensamento... Os Orcs que todos chamavam de demônios, na verdade não eram tão maus, eles não matavam por diversão como os elfos, eles só matavam para servir os deuses, caso contrário, seriam queimados vivos por Ankou, o deus da morte na religião Orc.
***
Assim que Lucy viu Madeleine atrás do Orc de dois metros de altura, ela percebeu o medo em seus olhos, mas não era do Orc... Era... Era... Era deles! De alguma forma Madelyan temia pela vida do Orc, mas por quê?! O que ela via nele?!
Naquele momento ela se lembrou de sua mãe, não havia convivido muito tempo com ela, mas de uma coisa ela ia se lembra por toda a vida, sua mãe lhe ensinara a não julgar as pessoas pelas aparências, e era isso que ela faria naquele momento.
Ela foi até o meio da multidão, estava fora de si, não sabia o que iria acontecer, mas sabia que uma coisa havia de ser. Quando ela chegou lá no meio seu colar brilhou como nunca havia, deixando todos assustados, mas em seus olhares, ela não via mais ódio, mas sim perdão!




XXVII JACK

Ele não sabia o que havia ocorrido nos últimos minutos, mas parecia que seu ódio por elfos havia sumido! Como isso era possível, depois daquele brilho inexplicável tudo ficou em paz!
Madeleine havia ido abraçar uma garota de cabelos cor de fogo, não sabia por que, mas ela cheirava a elfo, mesmo com aparência humana! E ao longe um elfo o olhava com raiva, parecia ter ciúme dele e de Madeleine, ele ficou assim depois dela contar tudo o que havia acontecido com os dois.





XXVIII MADELEINE
- Madeleine? Seu nome é Madeleine???
Perguntou o elfo a qual todos chamavam de príncipe, ele parecia familiar...
- Sim por quê?
- Você se parece muito com uma garota que eu conheci, mas agora ela deve estar morta...
Aos prantos Kalsem estava ela como instinto o abraçou.






 XXIX JACK
 “Por que ela fez isso?! Por que ela tinha que abraçar justo ele?!” ele estava com muito ciúme da humana de orelhas quase élficas. “Mas por que eu estou com ciúme nunca haverá nada entre nós dois, esta na cara que ela ama aquele elfo nojento!” Ele rangeu os dentes com ódio.











XXX LUCY
A menina e o Mestiço seguiram o resto do caminho mudos, Lucy sentia que a presença de Madeleine pesava sobre todos, mas por que?
Parecia que Kalsem estava louco pela humana, e o Orc também... Ele a principio sentia algo por Lucy, mas agora só tenta causar ciúmes na francesinha. Ela sentia.
Mas o que havia acontecido de verdade Lucy não sabia...
Parecia que Madelyan conhecia Outrera, Kalsem e Amim... Mas como? Isso era impossível... Ou o impossível é só questão de opinião? Desde que Lucy ganhara a pedra da lua de Adam, tudo o que era impossível, se tornara real... Menos a possibilidade de ela voltar a ver Adam...
De qualquer forma agora não era hora de perguntar sobre o impossível, nem mesmo pensar em Adam, ou mesmo se perguntar por que na sua ultima semana na frança eles não se falavam tanto. Agora era hora de pegar sua espada e atravessar a muralha!
***
Aquele lugar fedia a morte, e a morte fedia a ódio, e o ódio era Bruksama, o seu dever no território canibal era convencer a fada austríaca a ir até o rei, mas como?
Pelo que ouvira durante a viagem ninguém há havia visto desde a primeira grande guerra? O que uma simples menina poderia?
Como ela já havia dito “chega de perguntas, o que tiver de ser, será!” e começou a subir os 1001 degraus da fortaleza Austríaca.




XXXI LUCY
- Quem és tu? Quem se atreve a tirar uma das ultimas fadas Austríacas de seu sono eterno?  – Disse uma voz profunda, e amarga.
- Eu me chamo Lucy e...
- O que você disse? És Lucy? A prometida??? – Ela nem deixou a menina responder - Venha cá!
Ela se aproximou com cuidado, a fortaleza por dentro se parecia muito com a sala dos vitrais, só que tinha algo mais... Era mais misteriosa!
- Você já deve conhecer os vitrais, não é filha de Safira?
-Si-si-sim... – Como ela soubera quem fora sua mãe? Bem, melhor não questionar.
- Eles nos contam o futuro, o passado e o presente... E este é o vitral da sua vida, afastasse!  - ele começou a lançar um feitiço, seus cabelos pegaram fogo e ela começou a flutuar - Dico bonum, magicae lucis lunae creatione lator ostendit futurum, ut ostenderet posterum!!!
De repente tudo escureceu e ela caiu na pedra dura do chão da fortaleza escura.




XXXII LUCY
De repente ela acordou viu se numa luta contra canibais, depois Kalsem a beijando, então viu o Orc beijando Madelyan...  Sua vida estava passando numa seqüência de imagens, tudo estava a sua frente naquele momento, então de repente ela viu um rosto mau, ela viu alguém a matando com uma espada no peito, não era qualquer alguém... Era... Era... Era Adam!!!
Aquilo estava sendo demais para a garota, ela iria morrer naquele instante se a fada não tivesse parado!
Aquilo não podia ser verdade, ela amava Adam, e no fundo ela sabia que ele também a amava, mesmo tudo e todos dizendo o contrário...



XXXIII LUCY
- Você está bem? Está um pouco pálida... Pode ter sido demais... – ela lançou um sorriso ao ver Lucy recuperando os sentidos – O que você viu?
- Ele... Ele... Ele me matou... – A garota parecia ter visto um fantasma.
- Quem?!
- Adam! Meu melhor amigo, não só amigo, eu... Eu... Eu o amo...
A fada a abraçou sabia o que devia ser feito, deveria falar com o rei, um humano viria a Outrera, um humano com a pedra negra, o castelo tem que ser protegido!




XXXIV 
ALCEIA
- Lucy, Kalsem e Madeleine iram para a Fortaleza Bruksama! Amim e Eulyan viram comigo para o palácio! E Jack, venha cá!
Ele a seguiu para um lugar mais reservado do grupo e a fada falou:
- Eu sei as coisas horríveis que você fez, sei que matou várias criaturas em batalhas, mas eu creio que você é bom, e a vida está te dando uma oportunidade para provar isso, aproveite a! E como diriam no mundo de Lucy: Você pode errar uma vez, mas errar duas vezes, é burrice! – Ele sorriu - Agora vá com eles e proteja Lucy como sua vida!



XXXV 
LUCY
Era seu 5º dia de viagem, desde que deixaram Alceia, e nada do mundo humano as chamar. Parecia que ele nem mais existia! O pequeno grupo já havia enfrentado todos os tipos de criaturas negras que se pudesse imaginar, e apenas graças ao Orc sobreviveram, parecia que nada o feria, apenas parecia...
- Lucy vem cá! – disse Kalsem com um olhar sedutor - Deixe Madelyan cuidado dos ferimentos desse Orc nojento!- ela viu ciúme em seus olhos...
A cada segundo ele a puxava para mais perto de si, até suas testas se encostarem... Garantiu que sob a luz da fogueira, Madelaine os vice, e de repente seus lábios tocaram os de Lucy, ela tentou evitar, mas não conseguiu o príncipe conseguira roubar seu beijo.



XXXVI 
ADAM
Em outra dimensão o ódio perfurara o coração de Adam, ele estava em coma há semanas, desde então vira tudo o que acontecera com Lucy, inclusive seu beijo, de alguma forma estavam ligados... O beijo trouxera ódio a ele, a pedra da Lua negra o possuira, ou melhor: Bruksama retornara!
***
Ele levantara, seus olhos estavam cor de fogo, tudo o que se punha a sua frente seria destruído, ele precisava chegar o mais rápido possível na água... E foi o que ele fez.
Atravessou as dimensões sem fazer esforço, ele estava possuído pelo ódio, e a partir de agora nada poderia o deter!
Como mágica o castelo élfico foi tomado, o rei morto, e a fada aprisionada, o reino élfico caira e com ele as cinco terras de Outrera!
Pouco a pouco os reinos foram sendo devastados pela magia negra, até só sobrar o Leste e as poucas criaturas que fugiram das outras Quatro terras de Outrera, tudo parecia impossível até mesmo para quem não acredita nele, mas do fundo de uma batalha entre Canibais surgiria um herói, ou melhor, uma heroína!
***
- Recuar! Precisamos recuar! A Fortaleza foi tomada!
- Recuar! Todos sigam o Orc! – disse ela com seus cabelos aos ventos, o fogo em suas veias fervia pela paz, Lucy estava pronta para matar o seu melhor amigo, seu amor secreto!
- Para onde vamos Lucy?
- Pra lá Madeleine! – Ela apontou para o castelo Élfico a milhares de Quilômetros de distância.



XXXVII 
LUCY
Aquelas semanas com a espada em punho tornaram Lucy mais forte, tomar a decisão de matar Adam fora difícil, a mais difícil de sua vida, apesar de tudo, ela ainda o amava...
Mas agora o amor não existia mais em sua vida, ela não iria seguir seu coração nunca mais, Adam o destruira para todo o sempre.
Ela estava a duas horas do castelo, em seu rosto havia ódio, malícia, medo, terror, mas bem no fundo, amor... Ela não sabia o que iria acontecer nas próximas horas, se mataria Adam, ou ele a mataria; se fazia o que Safira queria, ou Bruksama; mas não havia mais o que temer, “seja o que for, será.”.
***
- Traga minha espada! Seu elfo tosco! – Ele mandou o excêntrico Eulyan a sua busca, tudo o que sobrara do velho Adam e seu acordeom fora uma lembrança, que em breve seria apagada por completo, como o passado, presente e futuro dos dois mundos, das duas eras.
Então o chão tremeu e do salão principal ele ouviu a porta se abrir, o futuro de Outrera seria definido agora.











XXXVIII 
LUCY
Ela entrava sorrateiramente no castelo, seus cabelos soltos, sobre sua armadura de ferro, Lucy a partir de agora não era mais uma simples menina de 13 anos, era uma mulher que mataria o mal, ou melhor, mataria seu melhor amigo, seu eterno amor.
Ao passar pelo Hall de entrada seguiram por um corredor obscurecido pelo mal, quando algo ou alguém se movia nas sombras... Havia sangue derramado no chão, o mestiço se abaixou para cheirar o sangue, e como se o vento disse ao invés dele, ele pronunciou:
 - Gnomos.
No mesmo instante Madeleine apontou para uma sombra que os observava, não sabia o que era, Kalsem apunhalou sua espada para protegê-los, quando Madeleine foi em direção a sombra, ao encontro da sua provável morte certa.
No instante que ela desapareceu ouviu-se o som de um arco élfico cair ao encontro do chão, não era um gnomo nas sombras mais sim...
- Amim!
Disse Lucy ao ver o soldado sair das sombras, num ar misterioso mais com um sorriso belo nos lábios.










XXXIX 
LUCY
- O que vocês fazem aqui! São loucos!
- Não tanto quanto você! – Brincou Kalsem enquanto abraçava o velho amigo.
- Nós temos que encontrar Adam.
- Ele está na sala dos vitrais, sejam rápidos! Eu preciso que Madeleine  e Jack venham comigo, vamos buscar as espadas e resgatar Eulyan.







XXXX 
LUCY
Kalsem e Lucy correram por um longo caminho, mas quando menos esperavam uma tropa de gnomos os atacou, Kalsem ficou para trás, ele tinha que atrasá-los, era o destino de Lucy uma luta a sós...






XXXXI 
JACK
- Venham é por aqui, a sala das espadas, Eulyan está lá... – Uma flecha atingiu Amim no peito, ele morreria em poucos instantes, em um segundo estariam todos mortos, mas o Orc de bom coração nunca abandonaria ninguém, abandonar um amigo em horas difíceis é o mesmo que traição!
Ele pegou o elfo, e botou o nos ombros, correram por um curto percurso para fugir dos gnomos, mas aquela não era a hora do Orc... Eles haviam se deparado com uma armadilha no caminho, o castelo possuía milênios de idade e infelizmente a ponte que levava para a sala das espadas havia sido destruída, sua única opção seria lançar Amim e Madelyan pelo poço até o outro lado, lançou um Amim já desacordado ao outro lado, quando Madelyan entendeu o que ele ia fazer ela ficou desesperada, ela nunca havia sentido nada tão forte por alguém, ela amava o Orc, não queria perdê-lo, só que não havia opção, eles ficaram se olhando por um bom tempo então o mestiço falou:
- Você sabe que eu não sou bom com palavras, então feche os olhos... Ok? – ela riu, não pelo Ok do Mestiço, mas como havia se enganado da primeira vez que o vira.
No meio da guerra o amor persiste, e a paz prolifera... Naquele momento, ele beijou a humana de orelhas quase élficas... Ao final do beijo ele a lançou pela vala antes que ela pudesse dizer não, ao outro lado, Amim já estava morto...







XXXXII 
LUCY
Ela estava só, quando desceu a escada caracol para a escura sala dos vitrais, ela estava com a espada em frente ao peito, quando entrou seu coração batia tão rápido que estava quase parando, chegará a grande hora, à hora de matar Adam!
Ela entrou como uma sombra na sala, a sala, aparentava estar vazia, então botou a espada no chão e foi olhar os vitrais, quando de repente a voz de Alceia veio a sua a mente “Atrás, atrás de você!”, naquele momento ela se virou para traz e Adam apunhalou seu coração. Ele chegou o mais perto possível de Lucy e cochichou em seu ouvido “Como é doce o gosto da vingança não é Lucy?”, mas ela não o ouvia em sua mente Alceia falava algo, mas o quê? Em poucos segundos ela se encontraria morta nos braços de seu amado, quando ela estava quase desistindo de tentar, ela ouviu Alceia dizer “Beije-o.”
Apesar de tudo o que Adam tivesse feito ela ainda o amava, e como em um conto de fadas, ela o beijou quebrando o feitiço, e banindo Bruksama de Outrera.
***
Adam estava perplexo, o que havia acontecido, ele havia matado Lucy?! Por quê?! Ele a chamava incansavelmente, suas lágrimas estavam em maior quantidade do que o sangue derramado, então simplesmente ele fechou os olhos e a abraçou...
Uma luz forte brilhou no ar, a pedra da lua de Lucy estava fazendo o que sabia melhor, ela estava trazendo Outrera de volta a vida, e com ela as pessoas mortas pelo mal de Bruksama...
***
Ele a abraçava quando ouviu uma doce voz...
- Adam? – era ela o chamando sorrindo.
- Quieta Lucy! Não ta vendo que eu to chorando!
- Mais Adam! – Ele olhou pra ela e chorou mais do que antes.
- Me perdoa Lucy, por favor?
- É claro que eu te perdôo!
- Depois de tudo que eu fiz?
- Sim, seu bobinho eu te amo!
Na que lhe momento ele se levantou e feito bobo a girou pelo ar, em seguida a encheu de beijos!








XXXXIII 
LUCY
Após algum tempo Madeleine descobriu que era a desaparecida irmã de Amim, ela fora levada para o mundo humano ainda quando bebê, e também todos os prisioneiros da fortaleza Bruksama foram libertados, dentre eles, Elizabeth, a noiva de Amim, e Safira, a primeira portadora da pedra da lua branca, que por destino era irmã do rei e mãe de Lucy!
Semanas depois ouve o grande e tão esperado casamento entre Amim e Elizabeth, na festa, Kalsem conheceu uma elfa chamada Fleur, e os dois se apaixonaram ao primeiro olhar!
Agora a vida em Outrera voltou ao normal, mas a do grupo que viajou em busca da paz, nunca mais voltaria!
Bruksama foi aprisionada na pedra da Lua negra, nada garante o tempo que ela ficará lá... Mas caso ela volte?
Haverá sempre um Lamartine para salvar o mundo, ou melhor, as duas eras!




  





Por:
 Joana Polidoro Luz
2016






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.